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Formação abre portas ao emprego

Desde a conquista da paz em 2002, o Governo tem implementado em todo o país programas de formação profissional, dirigidos sobretudo a jovens para a sua integração no mercado de trabalho.

É por intermédio do Sistema Nacional de Formação Profissional, um mecanismo inserido no programa de modernização e desenvolvimento do país, que se procura estimular a criação de empregos e concretizar o sonho de muitas famílias.
O ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), Pitra Neto, defende que esses projectos só podem ter continuidade e serem concretizados, se contarem com a adesão dos jovens aos diversos programas do Governo à disposição nos centros de formação existentes em várias localidades do país.
O Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP) conta actualmente com estruturas descentralizadas em 18 serviços provinciais, 31 Centros de Formação Profissional, 14 Centros Integrados de Emprego e Formação Profissional, 35 Centros Móveis, 61 pavilhões de Formação em Artes e Ofícios.
O INEFOP, além dos centros públicos, tem igualmente registadas 35 instituições de outros organismos e 459 centros privados. Desde 2013 até ao primeiro trimestre de 2017, a rede de centros de formação aumentou em 17 por cento, passando de 541 para 635. Este acréscimo foi possível, por via da construção de centros no âmbito das políticas públicas, no domínio da elevação das qualificações dos activos laborais, bem como a participação activa do sector privado, que durante este período cresceu em cerca de 24 por cento.
No período acima referido, foram inscritos um total de 376.346 formandos dos quais 259.107 do sexo masculino e 117.339 do sexo feminino, em 137 especialidades disponíveis. O nível de aproveitamento dos formandos foi de 82 por cento, enquanto a taxa de participação das mulheres nos cursos foi de 32 por cento.
No âmbito do programa Empreendedorismo na Comunidade, em Cabinda, recentemente, mais de 600 pessoas entre jovens e adultos foram beneficiados com micro créditos e kits de trabalho. Os contemplados tiveram a oportunidade de aprender uma profissão e depois foram instruídos como gerir o seu próprio negócio. O objectivo do programa é captar ideias e transformá-las em projectos para garantir a auto sustentabilidade. As áreas de formação que mais se destacaram são as de carpinteiro, serralheiro, agricultor, comerciante, gestor de pastelaria e culinária. Após o período de formação, através de um acordo firmado entre o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e o Banco Sol, os formandos são beneficiados com micro crédito, com um valor mínimo de mil dólares e o máximo vai até cinco mil, equivalentes em kwanzas. A taxa de juro é fixada em 1,75 por cento, mas o banco pode elevar essa quantia a valores mais altos, caso o investidor for bem-sucedido e demonstrar vontade de crescer.
O ministro Pitra Neto afirmou que estes programas do Governo vão continuar a ser materializados, e têm grande prioridade porque influenciam directa e positivamente a vida de muitas famílias, “é importante dizer o que se pretende fazer, sendo mais importante mostrar o que já foi feito”.
Pitra Neto referiu que os formandos têm diante de si o desafio de continuarem a desenvolver as suas actividades e demonstrar às famílias e vizinhos que o programa é viável e que contribui para a redução do desemprego.
Num país como Angola, que viveu um longo período de guerra civil, é importante que o Governo olhe para os pequenos, médios e grandes projectos, com objectividade e encontre soluções estáveis para a economia no seu conjunto, que proporcionem estímulos e oportunidades de investimento, que satisfaçam as necessidades básicas das pessoas e das empresas.
Segundo o ministro, uma região só se desenvolve com programas específicos que contemplem o aproveitamento racional das potencialidades existentes. O programa Empreendedorismo na Comunidade deve ser estendido a todos os municípios, para evitar que muitas famílias se desloquem para outras áreas em busca de melhores condições de vida.
A formação é necessária, mas só é útil se ela for aplicada ao trabalho. Os jovens formados por este programa passam a fazer parte do mercado formal da economia, podendo promover a criação do seu negócio e a pagar os impostos, que, entre outras coisas, contribuem para a construção e melhoramento das estradas, da iluminação pública e outros serviços. A governadora de Cabinda, Aldina da Lomba, também acompanhou o processo de entrega de micro créditos e enalteceu o programa de Empreendedorismo na Comunidade, por ser um veículo que tem melhorado as condições de vida de muitas famílias na província.
Para ela, apostar na juventude é apostar no futuro do país, por isso, o Governo de Cabinda estará sempre disponível para apoiar iniciativas do género.

Continuar acreditar


O programa Empreendedorismo na Comunidade tem mudado a vida de muitas famílias. O actual contexto do país aponta que o sector empresarial público e privado tem como papel fundamental e decisivo, a qualificação e valorização da mão-de-obra nacional. Os investimentos no sector da economia têm sustentado a geração de empregos com destaque para as áreas da Agricultura, Pescas, Construção Civil e Obras Públicas, Geologia e Minas, Transportes, Comunicações, Indústria e Turismo.
Luís Mambo de 54 anos é um dos exemplos de superação e de concretização deste programa.
Como empreendedor está ligado ao ramo da Agricultura, tendo como objectivo expandir o seu negócio, justificando deste modo a frequência do curso. Como agricultor revela que está satisfeito por receber micro crédito e um kit de trabalho das mãos do ministro Pitra Neto. Prometeu cumprir o acordo firmado com o banco Sol e agradece pela oportunidade que lhe foi dada. Maira Saraiva de 27 anos, revelou à nossa reportagem que “é preciso continuar a acreditar nos programas criados pelo Executivo”.
A jovem tem uma boutique de roupas interiores. Fez o curso no CLESE e considera que o mesmo funcionou como uma mola impulsionadora para a sua entrega ao mundo dos negócios. loja tem obtido lucros satisfatórios. A dimensão do espaço apenas permitiu a admissão de dois jovens empregados. Maira aconselha as pessoas a apostarem na formação profissional porque é o ponto de partida para a concretização de projectos que servem de sustento às famílias.
Centros Criados
Desde 1975, foram criados em todo o país 635 centros de formação profissional. A responsabilidade destas instituições era antes assumida pelo Ministério da Educação. Desde 1995, por orientação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, as competências passaram a ser atribuídas ao Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, com o objectivo de dar respostas à implementação das políticas activas de emprego e formação profissional. Criou vários instrumentos, programas e projectos de trabalho que têm produzido resultados satisfatórios.
Em relação aos cursos ministrados, houve um incremento nos números, relativamente à demanda no mercado de trabalho e à dinâmica da evolução tecnológica, que permitiu passar de 105 a 137 especialidades, revelando um aumento na ordem dos 30 por cento.
Os programas de formação estão subdivididos em brigadas. Foram criados para ajudar a combater a delinquência juvenil e impulsionar o empreendedorismo, que dá possibilidade aos jovens de criarem a suas próprias empresas e gerar emprego.
No âmbito do programa, o Executivo tem como objectivo conceber e executar políticas de emprego e de formação, acompanhar os planos globais e sectoriais, elaborando estudos e propostas para acompanhar o desenvolvimento do país.

Incubadora serve de ponte para a criação de empresas

Em Maio de 2007, o Executivo criou a primeira incubadora de empresas que deu lugar ao surgimento de seis pequenas e médias empresas, albergou 5.600 jovens e criou 147 postos de trabalho.
As incubadoras de empresas estão integradas dentro dos Centros Locais de Empreendedorismo e Serviços de Emprego (CLESE) e são instituições importantes por ajudarem os jovens com dificuldades a encontrar espaço para o início da sua actividade.
Na incubadora, os jovens dispõem de assessoria técnica, que os apoia na transformação dos projectos em negócios, como também na identificação dos potenciais clientes e fornecedores de bens e serviços.
A incubadora é um processo de maturação de negócios. Ajuda e dá impulso ao empreendedor para desenvolver melhor o seu projecto, com a disponibilidade de espaço e meios, bem como para a identificação de todos os pormenores necessários para dar arranque ao negócio. Muitos dos jovens que concluem a formação no CLESE prestam algum tipo de serviço na mesma instituição.
Os jovens interessados em entrar no CLESE têm de ser maiores de 18 anos e ter, pelo menos, concluído o ensino médio ou a universidade. Para quem não reúne estes requisitos, mas desenvolve algum negócio, o centro abre excepção. Depois do processo de formação no CLESE, dentro da incubadora, os jovens são orientados a alcançar certa independência financeira que lhes permita criar o seu próprio negócio, deixando definitivamente de fora a ideia de que a única solução para o primeiro emprego está na função pública ou em empresas já consolidadas.
O actual contexto económico do país obriga a que o maior financiador do Estado seja o cidadão, através de contribuições fiscais.
Para empreender, o jovem tem de ter espírito de sacrifício. Inicialmente, os cursos administrados no CLESE eram gratuitos e o nível de desistência era muito elevado, razão pela qual o acesso passou a ser comparticipado, no interesse de engajar financeiramente os jovens na sua formação. Os custos do investimento para a construção e montagem de um CLESE são elevados, daí a necessidade dos formandos pautarem pela conservação dos equipamentos.

Actividade dos centros
O Executivo deve assegurar aos formandos incentivos de ordem financeira e técnica, como créditos bonificados, empréstimos e apoios técnicos, para que os mesmos possam montar o seu próprio negócio. Tais resoluções não tiveram a aplicação desejada, devido ao grau de destruição em que o país se encontrava, a nível das infra-estruturas e do tecido empresarial, bem como as limitações do sector financeiro e bancário.
Com o cenário da guerra ultrapassado, o Executivo tem criado soluções para as pessoas que vivem nas aldeias, nos bairros suburbanos e nas áreas periféricas das grandes cidades, no sentido de terem meios próprios de ganhar a vida, através da produção de bens e serviços aí onde elas se encontram.
O público-alvo de acesso aos programas de financiamento em regime de micro crédito são jovens que frequentam ou provêm dos centros de formação profissional, institutos públicos ou privados, universidades, empreendedores das comunidades que desenvolvem actividades geradoras de rendimento (carpintarias, serralharias, cantinas, vendedores, engraxadores, discotecários, recauchutagens, pastelarias, agricultura, cabelereiro, oficinas de mecânica e alfaiatarias, entre outros).

Por : Edivaldo Cristovão

Fonte: Jornal de Angola

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